segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

COP18 - Prémio Fóssil do dia


Para mim este prémio é um das melhores coisas que vi nestes dias sobre esta cimeira. Quando acompanhei a COP15 em Copenhaga também já existia este galardão. Mas afinal o que é o Fossil do Dia?
As organizações não-governamentais (ONG) presentes na COP18, em Doha, no Qatar, atribuiram diariamente o galardão “Fóssil do Dia” (Fossil of the Day) aos países com pior comportamento negocial.

No dia 27/11/2012 o prémio foi atribuído à Turquia, país que é o quarto maior investidor do mundo em carvão e teve a maior taxa relativa de crescimento das emissões anuais de gases com efeito estufa (GEE) entre 1990 e 2010. A justificar a distinção está ainda a postura do governo turco ao nomear 2012 como o “Ano do Carvão”, e a afirmação de que não cumprirá as metas no segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto.

No dia 28/11/2012 foi atribuído este prémio ao Canadá, pela intenção de restrição do financiamento aos países do terceiro mundo e pelas posições contra novos compromissos com metas mais ambiciosas. O ministro do ambiente terá dito em conversas informais que os países em desenvolvimento não devem contar com mais recursos canadianos para financiar medidas de adaptação às alterações climáticas. As ONG acusam o Canadá de fazer o contrário do que deve: está a cortar no financiamento e a aumentar as emissões.

29/11/2012 foi atrubuido este prémio à Polónia,país que irá receber a próxima Conferência do Clima. A distinção deve-se à postura do país sobre a utilização das unidades de quantidade atribuída (AAU, na sigla em inglês), licenças de emissão excedentárias do primeiro período de compromisso do Protocolo de Quito. As ONG defendem que estes excedentes não devem transitar para o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto, mas a Polónia, a par da Rússia e da Ucrânia, não quer prescindir dessas licenças.

No dia 06/12/2012 o fóssil do dia foi atribuído à União Europeia, uma novidade nesta COP18, que decorre da falta de empenho na defesa do cancelamento das licenças de emissão excedentárias (“Ar quente”) no final do segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto. No entanto, é um prémio “entre parênteses”, porque as ONG ainda têm esperança de que a UE não se deixe intimidar pela Polónia e defenda o fim do “Ar quente”.

No ultimo dia da conferência foi atribuído o PRÉMIO “FÓSSIL COLOSSAL 2012” à Polónia e à Nova Zelândia. 
Há um empate para o chamado "Fóssil Colossal”: Canadá e Nova Zelândia. Depois de um reinado de cinco anos como Fóssil Colossal, parece que o Canadá se continua a recusar curvar-se graciosamente para a irrelevância que tem vindo a revelar como um retardatário histórico nas negociações climáticas. A chegada da Nova Zelândia, país que parece esquecer a realidade climática que tanto afecta o Pacífico, foi realmente o único desafio que o Canadá enfrentou.


Para um país cujas emissões são semelhantes em escala às das areias betuminosas do Canadá, a Nova Zelândia demonstrou uma cegueira excepcional perante a realidade científica e política. Para surpresa de alguns e deceção geral, a Nova Zelândia lutou muito para destronar o Canadá, numa campanha de extremo egoísmo e irresponsabilidade. 

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